A vanguarda do Techno no Brasil: Como o projeto NOISE transformou a cena eletrônica mineira
No final dos anos 80, a vanguarda da música eletrônica brasileira ganhou um novo e definitivo capítulo fora do eixo tradicional. Sob a idealização de Anderson Noise e Marcelo Marent (em memória), o projeto NOISE consolidou-se como o principal polo de resistência e inovação do Techno em Minas Gerais, realizando mais de 48 eventos marcados pelo ineditismo de suas locações. A iniciativa transformou o cenário urbano de Belo Horizonte ao ocupar espaços como órgãos públicos, prédios abandonados, galpões, shoppings e um hospício, integrando música e arquitetura de forma inédita no país.
Em um período embrionário da cena nacional, o movimento estabeleceu uma curadoria estética rigorosa, de identidade industrial, que colocou a figura do DJ no centro da experiência cultural. A NOISE educou o público local e moldou uma geração de clubbers que passou a enxergar a pista como um espaço de expressão artística e intelectual.
O impacto do projeto também se reflete em seus line-ups de relevância internacional. A NOISE foi responsável por estrear grandes ícones globais em solo mineiro, incluindo Laurent Garnier (1999), Scan X (2000) e Technasia (2001). Esse intercâmbio estendeu-se aos principais expoentes da cena brasileira da época — como DJ Mau Mau, DJ Marky, Patife, Level 202 e Renato Lopes —, criando um ecossistema que impulsionou também os talentos locais. Décadas depois, a assinatura curatorial da NOISE permanece como uma das fundações mais sólidas da história da cultura eletrônica no Brasil.